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sábado, 20 de maio de 2017

Lançamento Livros Professores do Depto de História da Universidade Federal do Amazonas - UFAM (Maio de 2017)


> "DISPUTANDO ESPAÇO CONSTRUINDO SENTIMENTOS: VIVÊNCIAS, TRABALHO E EMBATES NA ÁREA DA MANAUS MODERNA (MANAUS/AM - 1967-2010) - (Profª Dra. Patrícia Rodrigues da Silva)

> "O POSITIVISMO E A QUESTÃO SOCIAL NA PRIMEIRA REPÚBLICA" - (Profº Dr. César Queirós)

> "FOTOGENIA DO CAOS: FOTOGRAFIAS, MEDICINA E SAÚDE PÚBLICA EM SÃO PAULO, 1880-1925" - (Profº Dr. James Roberto Silva)





domingo, 29 de janeiro de 2017

Manuscritos de Obras de Machado de Assis disponíveis ao Mundo

     
Os mortais, como nós, já podem ter contato com os momentos, os instantes primeiros que resultaram nas obras consagradas de Machado de Assis. A Academia Brasileira de Letras - ABL, deu de presente à população a oportunidade desse contato, e já se pode consultar, em seus arquivos digitais (online), parte do acervo de nosso mais ilustre imortal. 

        Obviamente que não se trata de querer ler a obra em seu original, no sentido prático, usual. Pois, como todo manuscrito, há as dificuldades inerentes a este estágio da obra (dificuldade de leitura em razão da grafia do autor, por exemplo). Contudo, a riqueza e o ineditismo e o prazer se encontram diante da oportunidade de se ter o contato com aquele primeiro momento em que o grande escritor brasileiro traçou suas primeiras linhas sobre sua obra. É algo realmente muito emocionante, na medida que nós leva a imaginar aquele momento da História em que a produção literária estava se dando. É como ter a oportunidade de observar, no detalhe mais sublime e encantador, o amanhecer, o pôr do sol, uma flor que se desabrocha. Enfim, é um momento único e que está à disposição de todos.

   
Os manuscritos dos romances "Esaú e Jacó" e "Memória de Aires" e o poema "O Almada" já podem ser visitados, aqui acolá ou em qualquer lugar do Mundo. E sob o simples olhar curioso ou acadêmico ou de pesquisador, ou sob o olhar refinado e contemplativo.

      E cabe trazer aqui o pronunciamento da própria Academia sobre este momento tão importante:

O Presidente da ABL, Acadêmico e professor Domício Proença Filho, destacou a importância do novo serviço: “Constitui uma das etapas do Projeto de preservação e difusão da totalidade dos arquivos de acadêmicos e acadêmicas, desenvolvidos pelo Arquivo Múcio Leão da ABL, dirigido pelo acadêmico José Murilo de Carvalho. A antecipação do presente processo de migração para sua Base de Dados deve-se à solicitação de um grande número de interessados de todas as partes do mundo, de conhecer os manuscritos do escritor. Com isso, a Academia dá sequência ao cumprimento de seus objetivos primeiros vinculados ao culto da língua e da literatura nacional".

A disponibilização dos originais dos romances "Isaú e Jacó" e "Memorial de Aires", assim como do poema "O Almada", segundo Maria Oliveira, é a primeira de um processo, que prevê, dentro de pouco tempo, a de todos os manuscritos do autor: “A equipe de arquivistas do Múcio Leão vem desenvolvendo a alimentação da Base de Dados, com a inclusão das informações e imagens digitais para o novo sistema. O trabalho está sendo realizado pela Coordenadora dos Arquivos dos Acadêmicos, Juliana Amorim”.

Ainda de acordo com Maria Oliveira, “a decisão de permitir o acesso aos originais, antes mesmo da conclusão do processo de migração de todo o arquivo, foi tomada a partir do grande número de usuários, provenientes de diversas partes do mundo, interessados nos manuscritos da obra de Machado de Assis que estão depositados no Arquivo Múcio Leão”.
Maria Oliveira informou, também, que o acervo documental do Arquivo Machado de Assis está dividido em um fundo arquivístico e uma coleção de documentos. “O fundo arquivístico é o conjunto de documentos produzidos e/ou recebidos pelo titular no exercício de suas atividades e no decorrer de sua vida, naturalmente acumulados pelo próprio. Já a coleção de documentos é o resultado daqueles reunidos pela ABL, por intermédio de parentes do autor, amigos, estudiosos e correlatos, cujo conteúdo trata de temas, assuntos, impressões e aspectos relativos ao Acadêmico titular do arquivo e que complementam as informações do fundo arquivístico”. (Fonte: ABL)

     Enfim, o momento é de comemoração diante da importância da abertura e acesso - a nós, simples mortais-, aos manuscritos (uma parte), das  obras de um dos imortais mais ilustre de nossa Academia. 

     Abaixo, o link para acessar diretamente o acervo da Academia Brasileira de Letras - ABL.



domingo, 15 de janeiro de 2017

ATLAS BRASIL 500 ANOS ganha nova versão - Acesso totalmente Gratuito via site FGV/CPDOC*

"ATUALIZAÇÃO - A primeira edição foi publicada há 18 anos e as informações referem-se aos períodos antes do descobrimento do Brasil, navegações portuguesas e afins.

Matéria publicada no caderno PLUS Domingo
(Jornal Diário do Amazonas, de 15jan16)
O estudo da História do Brasil ganhou um atrativo com informações em vários formatos. Agora, os interessados podem utilizar a nova versão do Atlas Histórico.Brasil 500 anos,lançada 18 anos depois da primeira edição, e ainda com uma facilidade: todo o conteúdo elaborado por uma equipe de pesquisadores da Escola de Ciências Sociais (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas - FGV, pelo jornalista e tradutor Bernardo Joffily e pela professora de História da Universidade Federal do Estado de Santa Catarina (Udesc), Mariana Joffily. A nova versão está disponível na internet (http://atlas.fgv,br).

 As informações se referem a período antes do descobrimento do Brasil, às navegações portuguesas, à Nova República e seguem até o segundo governo Lula, que foi a fase final das pesquisas.

Pré-descobrimento

Mariana Joffily chamou a atenção para o período anterior ao descobrimento do Brasil. De acordo com a historiadora, é preciso conhecer como foi a ocupação do território. 'A primeira imagem que se tem é sobre a ocupação das Américas. É muito importante porque temos muitos trabalhos em que o marco zero da História do Brasil seria a vinda dos portugueses, mas se pensarmos em ocupação do território existiam habitantes e outras coisas antes', disse.

Página principal do site da FGV/CPDOC
O primeiro Atlas Histórico lançado no Brasil, desde 1998, teve o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e quem quiser acessar as informações, gratuitamente, poderá navegar em mapas, imagens, arquivos de áudios e de vídeos e textos explicativos, desenvolvidos pelos pesquisadores da FGV. Na nova edição, vai ser possível verificar, ainda, os verbetes do 'Dicionário Histórico Bibliográfico' do CPDOC e itns do Acervo Histórico da FGV/CPDOC.

Para facilitar ainda mais a navegação, foram usados recursos tecnológicos para deixar os materiais como mapas e vídeos menos pesados para carregar. ' Procuramos fazer algo que fosse acessível, útil, fácil para disponibilizar. Ficamos muito contentes de ter feito essa atualização do Atlas, que já tinha quase 20 anos de publicação, lembrou Mariana."


(*) Transcrição ipsis litteris da matéria publicada no Caderno PLUS DOMINGO do Jornal Diário do Amazonas, publicado no domingo, dia 15 de janeiro de 2017 (http://new.d24am.com).

sábado, 26 de novembro de 2016

MORRE FIDEL ALEJANDRO CASTRO RUZ

13 de agosto de 1926 (Birán - Cuba)
25 de novembro de 2016 (Capital Havana, às 22h29min./1h29min. - horário de Brasília)

"Com profunda dor compareço para informar ao nosso povo, aos amigos da nossa América e do Mundo que hoje, 25 de novembro do 2016, às 22h29, faleceu o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz... Em cumprimento da vontade expressa do companheiro Fidel, seus restos serão cremados nas primeiras horas deste sábado" (Raúl Castro).


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

DIA TRISTE PARA A DEMOCRACIA DE NOSSO PAÍS... PRO POVO BRASILEIRO!

Neste momento, às 12h49min, os Senadores, fazendo o papel de juízes, de um Senado Federal que se transformou num Tribunal de Sentença, decidiram por maioria de votos pela cassação do mandato legítimo da presidente Dilma Vana Rousseff - mandato este que foi obtido numa disputa legítima e democrática e com votos de 54 milhões de brasileiros. Num total de 81 senadores que votaram neste processo fraudento, 61 votaram pelo SIM ao Impeachment e 20 pelo NÃO.

E com isto, nem a vontade da maioria do povo e nem o Estado Democrático de Direito foram respeitados, sendo jogados no lixo. Mas, se não houve JUSTIÇA nesse processo montado à encomenda, que ficou mais que evidente, mais que PROVADO se tratar de um autêntico GOLPE PARLAMENTAR e EMPRESARIAL, a História FARÁ Justiça, sem sombra de dúvidas.



E, não tardará de condenar todos esses que, visando tão somente interesses pessoais, de grupo e políticos - esquecendo os legítimos interesses do povo brasileiro-, infelizmente, escreveram mais esta triste página de nossa história.

E, não obstante, os mesmos senadores terem decididos, após a cassação do legítimo mandato da presidente Dilma Rousseff, pela não aplicação da inabilitação ao exercício de cargo público, mantendo seus direitos políticos (por não ter, na votação, atingido 02 terços dos votos constitucionalmente previstos - ficando a votação em 36 pelo NÃO, 42 pelo SIM, e 3 Abstenções).  Demonstrando, cabalmente, o atestado e reconhecimento de seus próprios atos golpistas, logo, de culpa. E, clara busca de minimizar o "peso na consciência" que terão que carregar doravante.

Mas, a História não lhes oferecerá perdão, diante de mal maior que foi a usurpação de um mandato legítimo e oriundo da vontade da maioria do povo brasileiro.

Hoje, neste momento, o Brasil e nós, o seu povo, nos entristecemos, choramos e lamentamos o triste momento histórico em que vivemos. Mas, temos a plena certeza que a História não deixará passar em branco, fazendo o VERDADEIRO julgamento não só à legítima presidente da República Federativa do Brasil, Dilma Vana Rousseff, mas assim como a todos os envolvidos e algozes desta farsa e golpe parlamentar e empresarial.

Mas, o Brasil, o POVO saberão transformar este momento que é de LUTO, em momento permanente de LUTA em prol do resgate do Estado Democrático de Direito, e da LUTA incansável pela permanência dos direitos sociais conquistados e que encontram-se já em pleno perigo de extinção.    


domingo, 3 de julho de 2016

"Totalitarismo existe dentro de cada um"*

Livro: 'A Imaginação Totalitária: Os Perigos da Política como Esperança'

"Francisco Razzo analisa o que leva o ser humano a crer em verdades absolutas.

Em seu livro de estréia, o filósofo e professor Francisco Razzo destrincha o conceito que dá nome à obra: 'A imaginação totalitária'. Não se trata de um livro de história sobre regimes totalitários, ele explica logo no capítulo de introdução; mas, sim, um ensaio sobre como, individualmente, o ser humano desenvolve este tipo de pensamento, seja qual for sua vertente ideológica. 

Seja um defensor dos ideários de direita, esquerda ou centro, o homem não está a salvo de tentar impor suas verdades absolutas, acredita Razzo. O filósofo defende que boa parte da origem das tendências totalitárias está relacionada a uma espécie de esperança exagerada depositada no sistema político: para ele, o 'poder político entendido como esperança passa a ser tratado não como mediação, mas como fim último de todas as expectativas humanas'.

Mas Razzo discute, ainda, outros fatores determinantes, como a perda da noção de 'sujeito' e a violência intrínseca à imaginação totalitária. Nesse ensaio filosófico, ele faz uma mea culpa em relação a eventos do passado nos quais julgou ter se comportado de forma autoritária, dá exemplos do cotidiano e cita escritos de pensadores como Hanna Arendt, Zygmunt Bauman, Roger Scruton e Paulo Eduardo Arantes.

Trecho

'A experiência de estar certo e desejar que todos estejam igualmente certos a partir dessas nossas crenças radicalizadas constitui a chave de compreensão das sangrentas catástrofes políticas - o último estágio das grandes certezas ideológicas, a exclusão completa de tudo aquele que atrapalha efetivamente nossas realizações.

(...) O fato é que nenhum terrorista nutre algum sentimento de dúvida acerca de suas mais nobres convicções. Todos, sem exceção, partiram, pelo menos no nível do apego sentimental a uma crença, da experiência de que valeria muito a pena luta e, acima de tudo, matar e morrer por uma grande verdade".
(*) Reportagem contida no Caderno "Plus Domingo", do Jornal Diário do Amazonas, edição de domingo, do dia 03jul16 (da Redação - plus@diarioam.com.br).

sábado, 2 de julho de 2016

Ignorância e Raça*

"Tenho desprezo por gente que se orgulha da própria raça. Nem tanto pelo orgulho, sentimento menos nobre, porém inerente à natureza humana, mas pela estupidez. Que mérito pessoal um pobre de espírito pode pleitear por haver nascido branco, negro ou amarelo, de olhos azuis ou lilases?
Tradicionalmente, o conceito popular de raça está ligado a características externas do corpo humano, como cor da pele, formato dos olhos e as curvas que o cabelo faz ou deixa de fazer. Existe visão mais subjetiva?
Na Alemanha nazista, bastava ter a pele morena para o cidadão ser considerado de uma raça inferior à dos que se proclamavam arianos. Nos Estados Unidos, são classificadas como negras pessoas que no Brasil consideramos brancas; lá, os mineiros de Governador Valadares são rotulados de hispânicos. Conheci um cientista português que se orgulhava de descender diretamente dos godos!
Há cerca de cem mil anos, seres humanos de anatomia semelhante à da mulher e à do homem moderno migraram da África, berço de nossa espécie, para os quatro cantos do mundo. Tais ondas migratórias criaram forte pressão seletiva sobre nossos ancestrais. Não é difícil imaginar as agruras de uma família habituada ao sol da savana etíope, obrigada a adaptar-se à escuridão do inverno russo; ou as dificuldades de adaptação de pessoas acostumadas a dietas vegetarianas ao migrar para regiões congeladas.
Apesar de primatas aventureiros, éramos muito mais apegados à terra natal nessa época em que as viagens precisavam ser feitas a pé; a maioria de nossos antepassados passava a existência no raio de alguns quilômetros ao redor da aldeia natal. Como descendemos de um pequeno grupo de hominídeos africanos e o isolamento favorece o acúmulo de semelhanças genéticas, traços externos como a cor da pele, dos olhos e dos cabelos tornaram-se característicos de determinadas populações.
Mas seria possível estabelecer critérios genéticos mais objetivos para definir o que chamamos de raça? Em outras palavras: além dessa meia dúzia de aspectos identificáveis externamente, o que diferenciaria um negro de um branco ou de um asiático?
Para determinar o grau de parentesco entre dois indivíduos, os geneticistas modernos fazem comparações entre certos genes contidos no DNA de cada um. Lembrando que os genes nada mais são do que pequenos fragmentos da molécula de DNA, a tecnologia atual permite que semelhanças e disparidades porventura existentes entre dois genes sejam detectadas com precisão.
Tecnicamente, essas diferenças recebem o nome de polimorfismos. É na análise desses polimorfismos que se baseia o teste de DNA para exclusão de paternidade, por exemplo.
Na Universidade de Stanford, Noah Rosemberg e Jonathan Pritchard testaram 375 polimorfismos genéticos em 52 grupos de habitantes da Ásia, África, Europa e das Américas. Através da comparação, conseguiram dividi-los em cinco grupos étnicos cujos ancestrais estiveram isolados por barreiras geográficas, como desertos extensos, montanhas intransponíveis ou oceanos: os africanos da região abaixo do deserto do Saara, os asiáticos do leste, os europeus e asiáticos que vivem a oeste dos Himalaias, os habitantes da Nova Guiné e Melanésia e os indígenas das Américas.
No entanto, quando os autores tentaram atribuir identidade genética aos habitantes do sul da Índia, verificaram que seus traços eram comuns a europeus e a asiáticos, observação consistente com a influência exercida por esses povos naquela área do país.
A conclusão é que só é possível identificar grupos de indivíduos com semelhanças genéticas ligadas a suas origens geográficas quando descendem de populações isoladas por barreiras que impediram a miscigenação.
Mas o conceito popular de raça está distante da complexidade das análises de polimorfismos genéticos: para o povo, raça é questão de cor da pele, tipo de cabelo e traços fisionômicos.
Nada mais primário! Essas características sofreram forte influência do processo de seleção natural que, no decorrer da evolução de nossa espécie, eliminou os menos aptos. Pessoas com mesma cor de pele podem apresentar profundas divergências genéticas, como é o caso de um negro brasileiro comparado com um aborígene australiano ou com um árabe de pele escura.

Ao contrário, indivíduos semelhantes geneticamente, quando submetidos a forças seletivas distintas, podem adquirir aparências diversas. Nos transplantes de órgãos, ninguém é louco de escolher um doador apenas por ser fisicamente parecido ou por ter cabelo crespo como o do receptor.
Excluídos os gêmeos univitelinos, entre os seis bilhões de seres humanos não existem dois indivíduos geneticamente idênticos. Dos trinta mil genes que formam nosso genoma, os responsáveis pela cor da pele e pelo formato do rosto não passam de algumas dezenas.
Como as combinações de genes maternos e paternos admitem infinitas alternativas, teoricamente pode haver mais identidade genética entre dois estranhos do que entre primos consanguíneos; entre um negro brasileiro e um branco argentino, do que entre dois negros sul-africanos ou dois brancos noruegueses."


(*) Artigo escrito pelo Dr. Drauzio Varela


A Genética das Raças*

"O conceito de raça como categoria biológica deve ser abandonado.         

Embora a definição de raça não apresente consistência científica, tem sido empregada como categoria taxonômica baseada em traços hereditários comuns – como a cor da pele – para elucidar a relação entre a ancestralidade e os genes.
O uso do conceito biológico de raça em pesquisas genéticas, no entanto, é considerado enviesado e pernicioso.
A controvérsia vem de longe. No início do século 20, o sociólogo W. Du Bois foi o primeiro a contestar a existência de evidências científicas que justificassem o conceito de raça. Ao contrário do pensamento vigente, Du Bois afirmava que as disparidades de saúde entre negros e brancos seriam explicadas pelas desigualdades sociais, não por diferenças entre os genes.
Considerado o Darwin do século 20, Theodosius Dobzhansky enfrentou o problema dos geneticistas modernos: como definir e escolher a amostragem de genes em populações humanas?
Durante boa parte de sua carreira brilhante, defendeu que a dificuldade não estava no significado científico, mas no uso inadequado do termo raça. Com o passar dos anos, entretanto, convenceu-se de que o estudo da diversidade humana ficava prejudicado pelo conceito de raça.
Ainda hoje, os geneticistas continuam divididos a respeito da utilidade desse conceito em pesquisas biológicas. Existem três linhas de pensamento:
1) Para alguns, podem ser encontradas informações genéticas relevantes nos grupos raciais, importantes para avaliar a diversidade;
2) Outros, ao contrário, acham que o conceito de raça é irrelevante e impreciso para entender e mapear a diversidade humana;

3) Outros, ainda, defendem que a natureza heterogênea dos grupos raciais tornam questionáveis as previsões dos estudos clínicos baseados nas diferenças entre as raças.
Nos últimos anos, diversos encontros científicos procuraram chamar a atenção para os seguintes pontos:
1) Na interpretação de aspectos raciais/étnicos, o foco deve estar no racismo (ou seja, nas relações sociais) e não numa suposta predisposição biológica inata de cada raça;
2) Os cientistas encontram dificuldade para distinguir as categorias raciais com as quais os indivíduos se identificam;
3) A preocupação com o uso nocivo das conclusões tiradas em pesquisas genéticas que utilizam variáveis raciais/étnicas.
É fundamental estabelecer as diferenças entre ancestralidade e raça.

Ancestralidade é um conceito baseado num processo, numa afirmação sobre as relações do indivíduo com outros que fazem parte de sua história genealógica. É um entendimento muito pessoal a respeito da herança genética.
Raça, por outro lado, é um conceito baseado num padrão que tem levado cientistas e leigos a tirar conclusões sobre organizações hierárquicas, que conectam o indivíduo a um grupo social construído ou circunscrito geograficamente.
As novas tecnologias que permitem sequenciar os genomas de centenas de milhares de indivíduos demonstram que classificações raciais não fazem sentido em termos genéticos, como Dobzhanski previu há mais de oitenta anos."
(*) Artigo escrito pelo Dr. Drauzio Varella

sábado, 18 de junho de 2016

As Novas Doenças Provocadas pelo Uso da Internet *

"É oficial. Conheça oito novas doenças que surgiram - ou pioraram - por conta do uso quase compulsivo da Internet e dos dispositivos digitais móveis.

A Internet é um buffet infinito de vídeos de gatos, TV e Instagram de celebridades. Mas ela também pode estar aos poucos levando você à beira da insanidade. E não estamos aqui usando nenhuma figura de linguagem.

 À medida que a Internet evoluiu para ser onipresente da vida moderna, testemunhamos o aumento de uma série de transtornos mentais distintos ligados diretamente ao uso da tecnologia digital. Até recentemente, esses problemas, amenos ou destrutivos, não tinham sido reconhecidos oficialmente pela comunidade médica.

Algumas dessas desordens são novas versões de aflições antigas, renovadas pela era da banda larga móvel, enquanto outras são criaturas completamente novas. Não fique surpreso se você sentir uma pontinha de – pelo menos – uma ou duas delas. 

Nomophobia

O que é: a ansiedade que surge por não ter acesso a um dispositivo móvel. O termo “Nomophobia” é uma abreviatura de “no-mobile phobia” (medo de ficar sem telefone móvel). 

Síndrome do toque fantasma

O que é: quando o seu cérebro faz com que você pense que seu celular está vibrando no seu bolso (ou bolsa, se você preferir).
 

Náusea Digital (Cybersickness)

O que é: a desorientação e vertigem que algumas pessoas sentem quando interagem com determinados ambientes digitais.

Depressão de Facebook

O que é: a depressão causada por interações sociais (ou a falta de) no Facebook.
 

Transtorno de Dependência da Internet

O que é: uma vontade constante e não saudável de acessar à Internet. 

Vício de jogos online

O que é: uma necessidade não saudável de acessar jogos multiplayer online.
 

Cibercondria, ou hipocondria digital

O que é: a tendência de acreditar que você tem doenças sobre as quais leu online. 

O efeito Google

O que é: a tendência do cérebro humano de reter menos informação porque ele sabe que as respostas estão ao alcance de alguns cliques."

sexta-feira, 17 de junho de 2016

ESPANHOL PARA TODOS!

IDALGO IDIOMAS

PROFº EYCER H. BADURELES
- TRADUTOR/INTERPRETE DA LÍNGUA ESPANHOLA





quinta-feira, 16 de junho de 2016

NOMOFOBIA: O Uso Excessivo do Celular e Suas Implicações

Nomofobia: O vício pelo celular*
 
"A nossa sociedade está sempre em constantes transformações tecnológicas, as quais é imperativo nos adaptarmos de maneira positiva a estas continuas mudanças. Quando esta adaptação acontece de maneira precária, inadequada ou ineficiente, surgem nos indivíduos diversos problemas de ordem física, emocional, comportamental e psicossocial. Com a internet não é diferente.

Quando o uso de ferramentas tecnológicas como tablet ou smartphones se tornam um vicio ou uma dependência, prejudicando a realização das atividades cotidianas da pessoa, interferindo em suas relações sociais e familiares, prejudicando o foco nas atividades laborais e trazendo consequente prejuízo acadêmico ou laborativo, já temos elementos suficientes para classificar um transtorno e que tem nome: NOMOFOBIA. 

O Que é Nomofobia?
 
A Nomofobia é uma compulsão caracterizada pelo medo irracional de permanecer isolado e desconectado do mundo virtual. Na abstinência do celular ou tablet (internet), os sintomas são muito semelhantes aos da síndrome de abstinência de drogas como álcool e cigarro. Vale a pena ressaltar que a nomofobia está geralmente relacionada com comorbidades secundarias de outros transtornos, principalmente os transtornos de ansiedade, tais como fobia social, síndrome do panico e transtorno obsessivo compulsivo.

Quais São os Sintomas de um Nomofóbico?

Os principais sintomas da abstinência do celular são: angustia, vazio existencial (a vida parece não ter mais sentido), desespero, estresse, irritabilidade, náuseas, taquicardia, sudorese, tensão muscular, pânico, dentre outras manifestações.

A questão do uso patológico de chats e redes sociais, é que projetamos nossas pendências e carências emocionais como um meio de contrabalancear o que não conseguimos ter, ser ou resolver na “vida real”. Encarar a realidade tal como se apresenta e procurar estratégias eficazes de inserção social ,reconhecimento e resolução de problemas existenciais, é o primeiro passo para vivermos uma vida sem artifícios e mascaras. E’ necessário ter auto aceitação da nossa identidade para que tenhamos uma melhor qualidade de vida.

A participação da família é de extrema importância no tocante à educação dos filhos, bem como no estabelecer limites quanto à utilização de jogos na internet. As crianças de hoje estão muito mais atentas, aprendendo com muita facilidade a utilizar todos os recursos disponíveis. Exatamente por este motivo, a família deve dobrar a atenção, pois as crianças são mais vulneráveis e estão em uma situação de maior risco, principalmente com relação ao vicio em jogos e postagens de fotos na mídia.

Tempo no celular não significa vício, mas é preciso cuidado com as consequências.**

Ansiedade, perda de contato com pessoas próximas, sentir-se mais feliz na vida virtual que na realidade, se preocupar com as curtidas e compartilhamentos de uma foto, e deixar de aproveitar os momentos da vida para postar uma selfie são alguns dos sinais de que você está passando do limite. Uso abusivo do celular pode se tornar um transtorno psicológico, chamado Nomofobia, que pode desencadear em depressão, alertam os especialistas.

De acordo com a psicóloga do Programa de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo) Dora Goes, o abuso do uso de celular pode se tornar um transtorno, conhecido como nomofobia, do inglês “no mobile phobia” (medo de ficar sem o celular). O excesso não está relacionado ao tempo em que a pessoa fica no aparelho, mas aos prejuízos que o uso acarreta na vida.

— Muita gente usa o celular o tempo todo, mas ainda tem o controle da situação. Quando ela coloca em risco alguma atividade que faz ao usar o celular, quando não consegue se concentrar em outras atividades por estar focada no que está acontecendo no aparelho, aí já pode ser um problema.

Dora ainda explica que o transtorno é percebido quando o uso do celular passa a ter prejuízos na vida da pessoa. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em 2014, 62,5 milhões de pessoas acessam a internet pelo celular no Brasil. Ainda de acordo com o estudo, esse número aumentou mais de 20 milhões de 2013 para 2014. O estudo mostrou que, mesmo em casa, 52% das pessoas continuam acessando a internet pelo celular.

O pesquisador do Instituto Delete, empresa dedicada a orientar e informar à sociedade sobre o uso consciente das tecnologias, Eduardo Guedes afirma que a principal causa para o abuso no uso do celular é a ansiedade.

— Muitas pessoas usam o celular como muleta, porque se sentem sozinhas, e veem o celular como companhia. São ansiosas, têm pânico, e o celular faz o contato com o mundo.
Para o pesquisador, o principal problema é a substituição da vida social pelas relações virtuais, e isso se torna um círculo vicioso, que se agrava cada vez mais.

'Mostrar é mais importante do que o viver'

Dora acredita que as pessoas desaprenderam a viver. Para a psicóloga, muitos viraram reféns de curtidas e compartilhamentos.

— Ao invés de serem felizes, elas querem mostrar que são. O mostrar passou a ser mais importante do que o viver ou fazer. Isso faz com que a pessoa tenha menos prazer em viver a vida.

A especialista dá o nome de sociedade do espetáculo para este fenômeno. Para ela, as pessoas se sentem mal com a vida que têm, e precisam mostrar o que estão fazendo para agregar valor ao que fazem."


quarta-feira, 15 de junho de 2016

O Brasilianista Thomas Skidmore: "Brasil: de Getúlio a Castelo", "Brasil: de Castelo a Tancredo" e Outras Visões do Brasil *

Thomas Skidmore: um historiador norte-americano que escreve sobre a política brasileira, a questão racial e outros temas de nossa História, e se torna um ícone dentre os brasilianista do Séc. XX.

A História contemporânea brasileira foi vista e escrita pelos olhos e pena de um historiador estrangeiro que no último dia 11 de junho/16, faleceu: Thomas Elliot Skidmore.
Thomas Elliot Skidmore

Sua dedicação aos estudos do Brasil lhe rendeu o reconhecimento de "pai" dos brasilianistas.

Seu estudo voltado para o Brasil o colocou em momentos cruciais de nossa História, como, por exemplo, no Golpe Civil-Militar de 1964. Inclusive, onde, em entrevista, afirma que soube do golpe um dia antes de sua efetivação. Outro episódio foi sua manifestação contra a prisão de Caio Prado Júnior, pelo regime militar; e também sua quase deportação, já no final do regime.

Seu estudo sobre a questão racial, no caso brasileiro, é encontrado em seu livro  intitulado "Preto no Branco: Raça e Nacionalidade no Pensamento Brasileiro (1870-1930)".

Skidmore escreveu obras como:

> "Brasil:de Getúlio a Castelo";
>"Brasil: de Castelo a Tancredo"; 
>"O Brasil Visto de Fora"; 
>"Preto no Branco: Raça e Nacionalidade no Pensamento Brasileiro (1870-1930)"; e
>"Uma História do Brasil".

Enfim, a leitura dos escritos de Skidmore sobre o Brasil (e também sobre a América Latina), é mais que necessária... é obrigatória! 















terça-feira, 14 de junho de 2016

Dia Mundial do Doador Voluntário de Sangue - 14 de Junho*


"14 de junho é o dia consagrado ao doador de sangue - no mundo todo se comemora, se relembra, se saúda àqueles que, voluntariamente, doam seu sangue para os hemocentros, públicos e privados. Esta é uma ação de solidariedade fundamental para salvar vidas. Doe você também!


 Neste ano, 2016, a Organização Mundial da Saúde - OMS definiu o lema da campanha como:  Obrigado por salvar minha vida”, e com o slogan: “Doe voluntariamente, doe frequentemente. Doar sangue é importante”.

Com estas duas frases, muito significativas e sensibilizadoras, a campanha visa resgatar histórias de pessoas cujas vidas foram salvas pela doação de sangue. A motivação constante da população para que exerça, com a frequência possível, este ato de solidariedade humana, é uma necessidade permanente dos banco de sangue em todo o Mundo. Pessoas saudáveis podem doar (veja na figura abaixo as condições e limites), e esse sangue salvará vidas, até a sua. 

No Brasil, a doação de sangue é feita nos serviços de hemoterapia públicos e privados. Os serviços de hemoterapia públicos são responsáveis por 64% da coleta de sangue no Brasil, seguidos dos serviços credenciados ao Sistema Único de Saúde (SUS), que correspondem por 29% e dos serviços exclusivamente privados que contribuem com 7%, diz o Ministério da Saúde.

O dia 14 de junho foi escolhido pela OMS em 2014, em homenagem ao dia de nascimento de Karl Landsteiner (14 de junho de 1868), imunologista austríaco que descobriu o fator Rh e algumas diferenças entre os diversos tipos sanguíneos.


Quem Pode Doar Sangue?

De acordo com a OMS, podem doar sangue todas as pessoas saudáveis e que se enquadrem nas condições abaixo:

> Homem ou mulher;
> Entre 16 e 68 anos;
> Ter acima de 50 quilos;
Não ter Hepatite B, Hepatite C, Doença de Chagas, Sífilis, AIDS (HIV), HTLV;
> Estar bem alimentado e descanso;
> Esperar entre 90 e 180 dias após o parto para mulheres grávidas;
> Se estiver gripado, esperar no mínimo 7 dias após a recuperação para poder doar; e
> Após uma doação, as mulheres devem esperar 90 dias para voltar a doar sangue. Os homens devem esperar 60 dias até uma nova doação".

segunda-feira, 13 de junho de 2016

As Tecnologias de Informação e Comunicação - TICs e a Educação


O Que são as Tecnologias de Informação e Comunicação - TICs?

 "As Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC correspondem a todas as tecnologias que interferem e medeiam os processos informacionais e comunicativos dos seres. Ainda, podem ser entendidas como um conjunto de recursos tecnológicos integrados entre si, que proporcionam, por meio das funções de hardware, software e telecomunicações, a automação e comunicação dos processos de negócios, da pesquisa científica e de ensino e aprendizagem.
 

As TICs e a Educação
 
As TICs também estão no ambiente escolar, auxiliando os professores em suas práticas pedagógicas. Computadores, internet, softwares, jogos eletrônicos, celulares: ferramentas comuns ao dia a dia da chamada 'geração digital' e as crianças já as dominam como se fossem velhas conhecidas. O ritmo acelerado das inovações tecnológicas,assimiladas tão rapidamente pelos alunos, exige que a educação também acelere o passo, tornando o ensino mais criativo, estimulando o interesse pela aprendizagem. O que se percebe hoje é que a própria tecnologia pode ser uma ferramenta eficaz para o alcance desse objetivo. Entendendo a escola como um espaço de criação de cultura, esta deve incorporar os produtos culturais e as práticas sociais mais avançadas da sociedade em que nos encontramos. Espera-se,assim, da escola uma importante contribuição no sentido de ajudar as crianças e os jovens a viver em um ambiente cada vez mais “automatizado”, através do uso da eletrônica e das telecomunicações. O horizonte de uma criança, hoje em dia, ultrapassa claramente o limite físico da sua escola, da sua cidade ou do seu país, quer se trate do horizonte cultural, social, pessoal ou profissional.


Em uma sociedade tecnológica, o educador assume um papel fundamental como mediador das aprendizagens, sobretudo como modelo que é para os mais novos, adotando determinados comportamentos e atitudes em face das tecnologias. Por outro lado, perante os produtos tecnológicos, o educador deverá assumir-se com conhecimento e critério, analisando cuidadosamente os materiais que coloca à disposição das crianças." (*)

 
"As TICs podem proporcionar potencialidades imprescindíveis à educação. O que, gradualmente, está a conduzir ao reequacionamento do sistema educativo e da própria formação. Neste contexto, cada vez mais, ter-se-á de articular a escola com a sociedade de informação e do conhecimento, oferecendo condições para que todos possam aceder e selecionar, ordenar, gerir e utilizar novos produtos imprescindíveis ao ensino-aprendizagem.

Com o desenvolvimento de novos meios de difusão, a informação deixou de ser predominantemente veiculada pelo Professor na escola. Atualmente, com o crescente aumento da informação, o aluno chega à escola transportando consigo a imagem de um mundo que ultrapassa os limites do núcleo familiar, do professor e da própria escola. Mas informação não é conhecimento e o aluno continua a necessitar da orientação de alguém que já trabalhou ou tem condições para trabalhar essa informação. Nada pode substituir a riqueza do diálogo pedagógico.

As TICs multiplicaram enormemente as possibilidades de pesquisa de informação e os equipamentos interativos e multimídia vieram colocar à disposição dos alunos um manancial inesgotável de informações. Munidos destes novos instrumentos, os alunos podem tornar-se “exploradores” ativos do mundo que os envolve. Os professores devem ensinar os alunos a avaliarem e gerirem na prática a informação que lhes chega. Este processo revela-se muito mais próximo da vida real do que os métodos tradicionais de transmissão do saber. Começam a surgir na sala de aula novos tipos de relacionamento. O desenvolvimento das novas tecnologias não diminui em nada o papel dos professores, antes o modifica profundamente, constituindo uma oportunidade que deve ser plenamente aproveitada. Certamente que o professor já não pode, numa sociedade de informação e do conhecimento, limitar-se a ser difusor de saber. Torna-se, de algum modo, parceiro de um saber coletivo que lhe compete organizar. Sendo assim, o professor deixa de se apresentar como o núcleo do conhecimento para se tornar um otimizador desse mesmo conhecimento e saber, convertendo-se assim, num:
organizador do saber;
fornecedor de meios e recursos de aprendizagem;
estimulador do diálogo, da reflexão e da participação crítica." (**)


domingo, 12 de junho de 2016

Aprendizado em tempos de "Google"*

"Estudos Apontam que dependência da Internet na busca por respostas tem gerado consequências ruins aos usuários.


Pense rápido: qual o número de telefone da casa em que morou quando era criança? E o celular do colega de trabalho que chegou à empresa há cerca de seis meses? Provavelmente, foi mais fácil responder à primeira pergunta do que à segunda. Mas, antes que você comece a questionar a sua memória, é importante dizer: você não está sozinho. Estudos científicos chamam esse fenômeno de 'efeito Google' ou seja 'amnésia digital', um sintoma de um comportamento cada vez mais comum: o de confiar o armazenamento de dados importantes aos dispositivos e à internet no lugar de guardá-los na cabeça.

A ideia é simples: se você não tem de lembrar de cor todos os números de telefone de todos os seus contatos, uma vez que eles estão no seu Smartphone, pode ocupar sua memória com informações mais importantes ou úteis. 'É parecido com o diretor que delega para sua secretária a tarefa de lembrar seus compromissos, ou com usar uma agenda de telefones para registrá-los', explica o neurologista Paulo Bertolucci, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Utilizar um recurso externo para não precisar lembrar de algo não é exatamente novo - vale lembrar das aulas de História, em que o aparecimento da escrita é considerado um dos grandes marcos da evolução da humanidade. No entanto, quando informações importantes são confiadas ao mundo digital, há uma diferença na maneira como esses dados são acessados.


'Para achar um dado em um livro, preciso saber qual é o livro e lê-lo até achar o que preciso. É um grande trabalho. Por isso, muitas vezes retemos esses dados conosco para não ter de encontrá-los outra vez', diz o pesquisador Adrian F. Ward, da Universidade de Austin, nos Estados Unidos.

Na internet, porém, basta um clique para vasculhar um sem-número de informações. Segundo Ward, o acesso e a quantidade de texto faz com que o cérebro humano não considere útil graves esses dados, uma vez que é fácil encontrá-los de novo, rapidamente. 'São dados que ficam apenas na nossa memória de trabalho, que é rapidamente descartada'. explica Bertolucci, da Unifesp. 'É como quando consultamos o telefone de uma loja: após discar e fazer a ligação, não precisamos mais dele'.

Ignorância
O problema pode ser mais grave do que se imagina: além de recorrer à internet para guardar informações, muitas pessoas têm a impressão de que os dados online fazem parte de sua própria memória.

Em sua tese de doutorado na Universidade de Harvard, Adrian F. Ward fez o seguinte experimento: 155 pessoas foram divididas em três grupos para responder a um questionário com dez perguntas de conhecimentos gerais. Um grupo não teria acesso ao Google para pesquisar respostas, enquanto os outros dois poderiam buscar soluções na internet - um deles, no entanto, receberia resultados falsos à correção de seus testes, acreditando que teriam 80% de aproveitamento.

Na sequência, Ward pediu para que os três grupos estimassem seu desempenho caso respondessem a um teste semelhante sem a ajuda da internet. O grupo que recebeu o feedback falso apostou que teria o melhor desempenho, com 65% de aproveitamento em um novo teste - quem não pode recorrer á internet apostou que teria quatro acertos em 10 questões, enquanto os usuários que tiveram acesso à rede, mas receberam corretamente seus resultados, previram que teriam 55% de acertos.

'Aprender pode ser uma habilidade: assim, é bom saber tanto o que se sabe como ter compreensão do que não se sabe. Com a internet sempre acessível, essa fronteira se torna borrada', diz Ward.

Não vale 'colar'. O 'efeito Google' já tem suas consequências sendo sentidas na sala de aula, ao provocar mudanças na forma como crianças e adolescentes aprendem. 'É difícil convencer os estudantes de que eles precisam guardar um dado, porque hoje a informação é uma commodity, que pode ser encontrada em qualquer lugar', diz a pesquisadora em neurociência Kathryn Mills, da University College Of London".


(*) texto publicado no caderno "Plus Domingo", do Jornal Diário do Amazonas, em 12.06.16, assinado por Bruno Capelas (AE). 

sábado, 28 de maio de 2016

Livros: "A CIDADE SOBRE OS OMBROS: Trabalho e Conflito no Porto de Manaus (1899-1925)" e "FOLHAS DO NORTE: Letramento e Periodismo no Amazonas (1880-1920)" *

CHE Guevara vai repetir uma frase que saindo de sua boca, torna-se emblemática, marcante. Contudo, vai pra além disto, pois, traz sua verdade e que, por isto, obviamente, não pode ser jamais ignorada. Daí ganhar força dita pelo El Comandante: "Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la."

Os livros "A Cidade Sobre os Ombros: Trabalho e Conflito no Porto de Manaus (1899-1925)", já na sua 3ª edição, e "Folhas do Norte: Letramento e Periodismo no Amazonas (1880-1920)", ambos, da Profª Dra. Mª Luiza Ugarte Pinheiro (profª titular do Curso de História da Universidade Federal do Amazonas - UFAM), sendo de importância impar à historiografia regional, precisamente da História do Estado do Amazonas, não nós deixam cometer o erro crasso advertido pelo Comandante CHE.

Na "Cidade Sobre os Ombros", podemos, em síntese, destacar que o universo dos trabalhadores do Porto de Manaus, ou seja, os estivadores (com suas labutas, esforços e conflitos), num período que vai do final do século XIX até os meados da década de vinte do século XX, é discutido na obra, proporcionando a todos conhecer a realidade de um importante segmento da cidade de Manaus - não obstante ser ignorado e colocado à margem da sociedade, pela historiografia oficial, até então. Todavia, a obra da Profª Dra. Mª Luiza Pinheiro, com a perspectiva da História Vista de Baixo, recompõe seu lugar e importância, na medida em que lhe resgata à vida, dando-lhe vez e voz.

Logo, necessário se faz repetir a sinopse da Profª Dra. Maria Antonieta Antonacci (orelha da obra), quando registra que "Aliando rara habilidade na escrita, onde a riqueza de vocabulário associa-se à qualidade na expressão das ideias, com minuciosa e diversificada pesquisa em vários corpus documentários, este estudo... sobre os estivadores na cidade de Manaus, traz significativas contribuições para a historiografia da região, para a compreensão das questões subjacentes à cultura da cidade, como para a atualização de estudos sobre Cultura e Trabalho. A categoria dos trabalhadores portuários de Manaus, com seus modos de ser, suas reivindicações e lutas, seus diversificados perfis e suas instáveis conquistas emerge neste estudo fundamentado no cruzamento de registros e referências de diferentes procedências e com distintos posicionamentos sociais e aportes ideológicos, sob o olhar sensível e crítico da historiadora Maria Luiza no exercício de seu ofício.

Diante da 'modernização' dos equipamentos do porto manauara, que para anular as forças da natureza e construir relações sociais mais controláveis nos procedimentos ligados ao transporte de mercadorias, extinguiu atividades e funções de portuários, a autora procurou os estivadores em vários recantos da cidade, discutindo com a bibliografia e problematizando estudos sobre trabalhadores na Amazônia, convidando-nos ao prazer da leitura e do diálogo."

Profª Dra. Mª Luiza Ugarte Pinheiro**
Portanto, "A Cidade Sobre os Ombros", leva-nos a um olhar em retrospecto de um momento de nosso passado e que, manifestamente, óbvio, conduz à compreensão do tempo presente, de nossa cidade, de nossa gente, enfim, de nossa própria História.


Bom, se "A Cidade Sobre os Ombros" resulta da dissertação da Profª Dra. Mª Luiza Pinheiro, de sua tese de doutorado temos a obra "Folha do Norte: Letramento e Periodismo no Amazonas (1880-1920)".  

O Profº José Ribamar Bessa Freire, no Prefácio da obra, assim se pronuncia: "(...) Um dos tantos méritos do livro é justamente trazer para a boca de cena temas ainda pouco explorados no campo historiográficos, como a fofoca, e indica as fontes que possibilitaram sua abordagem no caso do Amazonas durante o boom da borracha. Geralmente, a fofoca, predominantemente oral, desaparece com seus agentes sem deixar vestígios, mas aqui ela deixa pistas no registro escrito de pequenos jornais, como um sambaqui de mexericos à espera de escavações... A autora destaca o fato de que mesmo com todo o avanço tecnológico e o aumento da oferta de capital motivado pela expansão da economia da borracha, os 'jornais escritos à mão continuaram sendo produzidos, convivendo teimosamente com o periódico impresso'.
Ela chama a atenção para a linguagem coloquial, o estilo informal e despojado que marcaram esses jornais manuscritos, algumas vezes ilustrados artesanalmente e a cores... Conhecimentos novos são produzidos aqui neste livro sobre os jornais de humor que circularam em Manaus neste período. A pesquisa  realizada vem preencher uma lacuna, já que no campo da historiografia da imprensa os jornais humorísticos foram poucos abordados como objetos de estudos. No Amazonas, então, inexistem trabalhos acadêmicos que exploram o tema 'ou mesmo que tenham se utilizado de fontes ligadas a ele'. Aqui, a autora analisa a irreverência e ousadia, a linguagem coloquial e a sátira, que motivaram a perseguição a jornalistas e editores, empastelamento, atentados e prisões, mas que em alguns casos refletirem também o conformismo e o preconceito contra nordestino, negros e prostitutas... A autora também registra o aparecimento, em 1884, em Manaus, da mulher como enunciadora presente no primeiro jornal produzido inteiramente por mulheres - o Abolicionista do Amazonas - que luta pela emancipação do reduzido número de escravos na Província (...)".